04 de outubro de 2023
Para o Brasil, a Bolívia possui grande importância, uma vez que abastece com gás cerca de 50% do nosso parque industrial, além de ser o lar de 200 mil brasileiros, maioria dedicada ao plantio de soja. Fora que ocupa centralidade no tabuleiro geopolítico sul-americano e possui abundância de riquezas em recursos naturais. Para celebrar o Dia do Internacionalista – comemorado em 26 de setembro -, o curso de Relações Internacionais da UCP falou sobre A Política Externa Plurinacional: Relações Brasil-Bolívia. A palestra aconteceu nesta terça-feira (03.10), no Salão Nobre do Campus Dom Veloso.
“A Bolívia é um país, primeiro, central. Quando a gente pensa em infraestrutura da América do Sul, principalmente, é impossível não falar de Bolívia, porque ela está no coração do continente. Então, tem vários projetos que o Brasil financiou, inclusive, para fazer essa ligação e interconectar com os outros estados mesmo da América do Sul. Além disso, a Bolívia tem a maior fronteira com o Brasil. Uma das principais cooperações que existem é com relação ao narcotráfico. É um dos pilares que os dois países têm de cooperação, que é esse cuidado dentro da fronteira, com relação ao policiamento. É um campo muito amplo de cooperação”, explica a palestrante Ana Lacerda.
Egressa da UCP e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (PPGRI- UERJ), Ana comenta que o debate atual, na cooperação entre os dois países, é sobre o lítio.
“A cooperação tem na área da agricultura, da saúde, e tem a questão dos recursos naturais, que é muito grande. A Bolívia hoje exporta cerca de 50% do gás que abastece São Paulo, por exemplo. Então o Brasil, de certa forma, tem uma dependência do gás boliviano. Para além disso, hoje em dia tem um debate muito grande com relação ao lítio, porque o lítio tomou uma proporção muito grande por conta das baterias e tudo mais, a energia verde. Hoje também é um debate sobre como irá ocorrer essa cooperação, a Bolívia-Brasil, com relação ao lítio”, disse Ana, que atua na linha de pesquisa sobre política externa.
O tema e a convidada vão ao encontro da proposta do curso de Relações Internacionais da UCP, especialmente da comemoração do Dia do Internacionalista, em trazer egressos de volta à Universidade para discussões e debates de temas atuais e pertinentes à área.
“Temos priorizado muitos nossos egressos. É muito legal trazer alunos que já foram da nossa graduação e mostrar onde eles estão hoje no mercado, na academia. E trazer temas em alta também. A questão do Brasil com o entorno regional é um tema relevante, urgente e pouco tratado. Então, a gente precisa tornar isso mais comum e que os alunos de Relações Internacionais tenham maior noção sobre todo o regional, sobre os vizinhos do Brasil”, comenta a coordenadora da graduação, Profª. Luíza Bizzo, que garante que são temas de interesse a toda comunidade.
“Relações internacionais, política externa é política pública. Você discutir as diretrizes do Brasil para o exterior; as ações do Brasil no exterior; isso traz um impacto desde o nível econômico, do preço do pão, ao preço da sua gasolina; as suas relações e direitos que você tem no cotidiano. Então, política externa brasileira, que é uma das principais pautas das relações internacionais, é assunto de todos, que a opinião pública deveria se apropriar e deveria cada vez mais também entender a relevância”, afirma Bizzo.